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on run

Triatleta argentino cego e surdo é exemplo de superação

Martin Kremen é o único deficiente visual de seu país a cruzar a linha de chegada em um IRONMAN e neste ano pretende completar o objetivo de disputar a prova mais dura do triatlo em todos os continentes

| Da redação -

O triatleta argentino Martin Kremen (esq) supera a cegueira e a surdez
Em esportes de endurance, superar os limites físicos é condição básica. Ser mais rápido, Ir mais longe, exige levar o corpo sempre um pouco além da sua zone de conforto. Imagine encarar esse tipo de desafio quando é preciso lutar também contra uma deficiência. Parece impossível? Não para o argentino Martin Kremenchuzky.

Martin Kremen , como é conhecido, é triatleta. Mas não é um triatleta comum. Ele sofre de uma enfermidade genética chamada Síndrome de Usher, que provoca problemas visuais e auditivos, além de afetar o equilíbrio. Essa condição adversa, entretanto, não o impede de praticar o esporte que gosta e de somar conquistas em sua vida, sendo o único triatleta cego de seu país a completar um IRONMAN.

Aos 48 anos, esse engenheiro de sistemas, conferencista motivacional e triatleta vai completar seu grande objetivo, que é disputar uma prova IRONMAN em cada continente. Já completou o IRONMAN Brasil (Florianópolis) em 2015, em Porto Elizabeth (África do Sul) em 2017, em Taupo (Nova Zelândia) em 2018, e Barcelona (Espanha) em 2019. Em novembro, ele participará do IRONMAN de Tel Aviv (Israel), fechando a lista. Em julho deste ano, ele completou o Itaú BBA IRONMAN 70.3 Rio de Janeiro. 

  
"Muita gente acha que as pessoas com algum tipo de deficiência não podem ter uma vida feliz e de prazer. Acredito ser uma prova de que isso não é bem assim. Fiquei cego há 15 anos e quando assumi a deficiência, depois de uma grande depressão, minha vida mudou. Comecei a correr, nadar, remar, andar de bicicleta de dois assentos e outras coisas. O esporte foi minha melhor terapia e comecei a me propor desafios de 10, 21 e 42 quilômetros. De corredor passei a maratonista, corredor de aventura, atleta da seleção de remo adaptado e, finalmente, o triatlo, este em 2012", conta Martin, em seu site (clique AQUI para acessar).


Desde 2014, Martin ministra palestras e conferências motivacionais. Seu objetivo é transmitir a mensagem de que tudo é possível quando se está disposto a encarar o desafio e trabalhar por isso. O argentino já participou de mais de 200 conferências, não só em seu país, como também no exterior. Também colabora com diferentes grupos de corredores com deficiência visual, nos quais a principal missão é "incentivar e sensibilizar todas aquelas pessoas que, por ignorância, superproteção ou outros motivos, não sabem tudo o que podem fazer para viver plenamente".

A relação com o Brasil é antiga. Foi em Florianópolis, em 2015, sua primeira prova de IRONMAN, sendo o primeiro atleta cego de seu país e o primeiro surdo e cego do mundo a completar a distância. "Foi uma experiência incrível. Gostei tanto que depois estive em duas edições da Maratona do Rio, para disputar os 21 km, em 2016 e 2017, e no ano seguinte participei do IRONMAN 70.3 Rio de Janeiro. E voltei em 2022, que serviu como parte da preparação para a prova de Israel, em novembro", explica.

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