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Mais caro que gasolina: por que o leite está tão caro?

Preço do leite chega a quase R$10 em algumas regiões do país. Descubra quais fatores estão causando esse encarecimento.

| Dinheiro com Você -

Leite acumulou valorização de 57% neste ano (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)
Brasileiro não tem um dia de paz, meu amigo. Foi uma luta até baixar um pouco o preço da gasolina, e agora é o leite que está se tornando o pesadelo do consumidor. 

Eu investiguei para ver o que está acontecendo, até para descobrir também se tem chance de o preço do leite cair nos próximos meses. 

Leia até o final do post para entender a história direito e saber o que ainda vai acontecer com o leite! 

A inflação do leite

Olha só que complicado: a prévia da inflação para julho ficou em 0,13%, enquanto a inflação do leite foi de 22%. A alta no ano já está em assustadores 57%! Aliás, o vilão dessa inflação foi justamente o leite. 

E tem uma coisa um tanto quanto inusitada, para não dizer trágica, acontecendo: contrabando de leite. Pessoal atravessando a fronteira com o Paraguai para ir buscar o produto por um preço mais baixo. 

Enquanto em Campo Grande o leite estava em R$6,63, lá em Pedro Juan Caballero, vizinha de Ponta Porã, o povo estava conseguindo leite por R$3,65, acredita? 

Mas você quer saber o que está fazendo o leite ficar tão caro, né? 

Não, o problema não é só a guerra na Ucrânia. Há vários problemas acontecendo ao mesmo tempo, e eu vou falar sobre cada um deles agora. 

Por que o leite está tão caro 

A produção de leite depende de vacas gordinhas, bem alimentadas, e a produção do alimento delas depende muito dos fertilizantes. Sabe qual país é o maior produtor de fertilizantes? É a Rússia, que está enfrentando sanções econômicas e está com dificuldade de exportar sua produção. 

Com menos fertilizantes no mercado, adivinha? O preço aumenta. E aumenta também o preço dos grãos, incluindo o milho e a soja, que são usados na produção de ração para gado, impactando o preço do leite aqui no Brasil e no mundo. 

Além disso, a Ucrânia é o quarto produtor mundial de milho. Mas como ela vai fazer pra produzir e exportar se uma guerra está acontecendo lá? Isso também está limitando a oferta do cereal no mercado, o que encarece o produto no mundo todo. 

Agora, deixando de lado a questão da guerra, tem a La Niña, que é um fenômeno climático que provocou uma seca severa no sul do Brasil, que é um importante produtor de grãos. 

Também teve o aumento das exportações de grãos: a demanda da China aumentou durante a pandemia, ajudando a desabastecer nosso mercado interno.
Some-se isso à entressafra do produto que ocorre todo ano de março a outubro, e a situação se agrava. 

Como se não bastasse, muitos produtores de leite estão desistindo da atividade. Só em Santa Catarina, que é um dos estados mais fortes na produção da commodity, nove mil produtores desistiram de produzir leite durante a pandemia. Em 1990, eram 75 mil produtores no estado, e hoje o número caiu para apenas 24 mil. 

O motivo é o aumento dos custos nos últimos anos, prejudicando cada vez mais as margens de lucro. Perceba, mais uma vez, a lei da oferta e da demanda aumentando o preço de um produto. 

Outro agravante foi o aumento do preço do barril de petróleo, que chegou a passar dos US$120 nos últimos meses, mas agora está na casa dos US$100. No ano passado, porém, a commodity estava custando cerca de US$70 ou US$80. 

O petróleo encareceu, e a gente precisa dele para transportar para lá e para cá tudo isso que estamos falando aqui: fertilizante, milho, soja e o próprio leite que vai do produtor para a usina de beneficiamento e de lá para o mercado. 

Existe outro fator que encarece todos esses custos que já mencionei: o dólar. Como as commodities são precificadas na moeda americana, mesmo que elas não ficassem mais caras, só de a nossa moeda desvalorizar a gente já tem que gastar mais reais para comprar a mesma quantidade de fertilizante, de petróleo, de milho, de soja ou de qualquer outro produto importado. 

Além de tudo isso, a energia elétrica encareceu bastante nos últimos meses por causa da seca, impactando a produção de leite, uma vez que a energia elétrica é usada em boa parte do processo, desde a ordenha automatizada até a pasteurização e a refrigeração. 

Mas você quer saber se o preço do leite vai cair, né? Aqui você não fica sem informação, meu amigo! Paulo Martins, pesquisador da Embrapa, disse que "em relação ao futuro, as condições são muito favoráveis. Olhando o mercado internacional, as principais commodities, que são importantes para quem produz leite, todas elas estão com viés de baixa". 

Martins acrescenta que a redução do ICMS nos combustíveis é outro ponto positivo. Por isso, "de agora para o fim do ano, sem dúvida alguma, a expectativa é de que haja redução no custo de produção de leite aqui no Brasil". 

Está aí uma notícia boa para o brasileiro. Vamos torcer para essa expectativa se concretizar. 

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