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Meningite: Saiba os sintomas e como é transmitida a doença

A doença pode ser causadas por infecções de vários microrganismos, como fungos, vírus e bactérias

| Da redação -

 

Tomar vacina é necessário para controlar a doença (Foto: Divulgação/PMC)

 

Com o surto de meningite no Brasil, muitas pessoas ainda ficam com dúvidas em relação a doença. Como é transmitida, quais são os seus sintomas e a importância de se vacinar contra ela.  

Com isso, o Tudo EP vai te explicar e trazer todas as informações sobre a meningite.  

O que é a meningite?

A meningite meningogócica é transmitida por um grupo de bactérias chamadas meningococos, e provoca inflamação na meninge, membrana que envolve o cérebro e a medula espinhal. As meningites podem ser causadas por infecções de vários microrganismos, como fungos, vírus e bactérias. A transmissão se dá por meio das vias respiratórias, ou seja, pelo ar. Pode deixar sequelas neurológicas, auditivas e dores crônicas.  

 

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No Brasil, o mais comum é o tipo C (que envolve 80% dos casos), seguido do tipo B. Os tipos A, W e Y são menos frequentes. As vacinas são consideradas a melhor forma de prevenção contra a meningite e são específicas para cada sorogrupo.

Como é transmitida?

O tipo bacteriano é transmitido de pessoa para pessoa por gotículas e secreções do nariz e da garganta, mas também há bactérias passadas pelos alimentos. As virais dependem do tipo de vírus. Há casos de contaminação por contato com pessoas e objetos infectados e até por picada de mosquitos, de acordo com o Ministério da Saúde.

"É uma doença que pode ser grave. A transmissão acontece de pessoa para pessoa pelo contato respiratório. Então, o uso de máscara facial protege contra a transmissão. É uma doença para qual a vacina está disponível par crianças e adolescentes, por isso é importante atualizar a carteira de vacinação", explica a infectologista da Unicamp Raquel Stucchi.

Quais os sintomas da doença?


Costuma começar com febre, dor no corpo, dor de cabeça e um sinal que preocupa muito é o aparecimento de manchas na pele. Isso indica a necessidade de atendimento médico de urgência para coleta dos exames e início da administração de antibióticos.

Além disso, no início do quadro clínico, a meningite pode não ser de diagnóstico fácil. Os sintomas variam conforme a idade do doente. Veja a seguir:

Sintomas e sinais mais frequentes no bebê:

- Febre, mãos e pés frios (dificuldade de circulação)

- Baixa atividade (criança "largadinha") ou irritabilidade, choro intenso e inquietação

- Rigidez de nuca (dificuldade para flexionar a cabeça)

- Recusa alimentar

- Gemidos e sonolência, com dificuldade para despertar

- Manchas vermelhas na pele

- Convulsões

- Fontanela abaulada (moleira abaulada)

- Vômito e diarreia

- Sintomas na criança maior, no adolescente e no adulto:

- Febre alta 

 

Neisseria meningitidis, a bactéria que causa a meningite meningocócica (Foto: Wikimedia)


- Dor de cabeça

- Vômitos, muitas vezes em jato

- Rigidez de nuca (dificuldade para flexionar a cabeça)

- Sonolência

- Convulsões

- Dor nas articulações

- Aversão à luz 


Sintomas na criança maior, no adolescente e no adulto:

- Febre alta

- Dor de cabeça

- Vômitos, muitas vezes em jato

- Rigidez de nuca (dificuldade para flexionar a cabeça)

- Sonolência

- Convulsões

- Dor nas articulações

- Aversão à luz

Quais as diferenças nos tipos de transmissão, de acordo com o Ministério da Saúde?


Entre as ocorrências, 99% são virais ou bacterianas. "A meningite causada por bactérias, como a meningite pneumocócica, que tem maior incidência entre crianças pequenas, e a meningite meningocócica, que pode afetar todas as faixas etárias, podem se desenvolver de forma mais grave, causar infecção generalizada, levando o paciente a óbito rapidamente. Já a viral evolui de forma mais leve, sendo a cura espontânea e sem sequelas", afirma Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Há ainda meningite causada por fungos e parasitas, mas é algo muito mais difícil de ocorrer.

Meningite bacteriana

Geralmente, as bactérias que causam meningite bacteriana se espalham de uma pessoa para outra por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Já outras bactérias podem se espalhar por meio dos alimentos, como é o caso da Listeria monocytogenes e da Escherichia coli.

Meningite viral

As meningites virais podem ser transmitidas de diversas maneiras a depender do vírus causador da doença. No caso dos Enterovírus, a contaminação é fecal-oral, e os vírus podem ser adquiridos por contato próximo (tocar ou apertar as mãos) com uma pessoa infectada, tocar em objetos ou superfícies que contenham o vírus e depois tocar nos olhos, nariz ou boca antes de lavar as mãos ou ao trocar fraldas de uma pessoa infectada, beber água ou comer alimentos crus que contenham o vírus. Já os arbovírus são transmitidos por meio de picada de mosquitos contaminados.  

Meningite causada por fungos  

Geralmente os fungos são adquiridos por meio da inalação dos esporos (pequenos pedaços de fungos) que entram nos pulmões e podem chegar até as meninges. Alguns fungos encontram-se em solos ou ambientes contaminados com excrementos de pássaros ou morcegos. Já um outro fungo, chamado Candida, que também pode causar meningite, geralmente é adquirido em ambiente hospitalar.  

Meningite causada por parasitas

Os parasitas que causam meningite não são transmitidos de uma pessoa para outra, e normalmente infectam animais e não pessoas. As pessoas são infectadas pela ingestão de produtos ou alimentos contaminados que tenham a forma ou a fase infecciosa do parasita.  

Quais vacinas protegem contra a meningite? 

Desde julho, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) recomenda a ampliação dos públicos aptos a receber a vacina meningocócica C (Conjugada), que envolve trabalhadores da saúde e crianças até 10 anos. A extensão do público-alvo vai até fevereiro de 2023. 


A meningocócica C faz parte do Calendário Nacional de Vacinação, sendo indicadas duas doses, aos 3 e aos 5 meses de idade, e um reforço preferencialmente aos 12 meses de idade. Segundo a nova orientação do Ministério da Saúde, se a criança de até 10 anos não tiver se vacinado, deve tomar uma dose da meningocócica C. Já os trabalhadores de saúde, mesmo com o esquema vacinal completo, podem se vacinar com mais uma dose.

Embora a faixa etária com maior risco de adoecimento seja das crianças menores de um ano de idade, adolescentes e adultos jovens são os principais responsáveis pela manutenção da circulação da doença. Desta forma, o Ministério da Saúde está disponibilizando temporariamente a vacina meningocócica ACWY para a faixa etária não vacinada entre 11 e 14 anos.

O imunizante está disponível no Calendário Nacional de Vacinação para adolescentes entre 11 e 12 anos, mas até junho de 2023, quem tem entre 13 e 14 anos também poderá receber a dose. Segundo a pasta, a ampliação tem como objetivo reduzir o número de portadores da bactéria em nasofaringe.

Em crianças menores, a meningocócica ACWY não está disponível na rede pública. Na rede privada, a vacina que inclui o tipo C é a conjugada quadrivalente ACWY, ao custo médio de R$ 360 por aplicação. Geralmente, é administrada em quatro doses até um ano de idade, dependendo da marca da fabricante. Também é recomendado um reforço entre os 5 e 6 anos e outra dose aos 11 anos. Pode ser aplicada em adultos.

Embora esteja atrás somente do tipo C em número de casos, em média 20%, a meningocócica B somente está disponível na rede particular. Ela custa, em média, R$ 600 e é administrada em três doses entre 2 meses e um ano e meio. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) também indica a imunização para grupos de alto risco, como portadores de HIV.

A pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10) faz parte desde 2010 do calendário de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS). Protege contra pneumonia e também meningite. São dadas duas doses de VPC10 com intervalo mínimo de 2 meses no primeiro ano de vida da criança e um reforço com um ano de idade. 

Na rede privada, a pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13) é mais abrangente, protegendo contra 13 sorotipos de pneumococos. Geralmente, é administrada em quatro doses até um ano e três meses de idade, dependendo da marca da fabricante. Ela custa em torno de R$ 280. 

A vacina conjugada contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) está disponível na rede pública e particular. A proteção contra a meningite provocada pela bactéria Haemophilus influenzae tipo b pode ser aplicada individualmente, mas geralmente é administrada pela vacina hexavalente, que também protege contra difteria, tétano, coqueluche e hepatite B e poliomielite, ou pela pentavalente, que protege contra as mesmas doenças, exceto contra a poliomielite.

No SUS, é disponibilizada em três doses: aos 2, 4 e 6 meses de idade. Na rede particular, quatro doses são aplicadas entre dois meses e um ano e meio de idade. Pessoas com doenças que comprometem a imunidade ou a função do baço (órgão que tem papel fundamental na proteção contra essa bactéria), ou aquelas que tenham retirado cirurgicamente esse órgão, devem tomar a vacina. A vacina individual custa em torno de R$ 150. O preço da pentavalente e hexavalente fica em torno de R$ 250 cada uma. 

Além das vacinas descritas acima, ao nascer toda a criança toma uma dose única da vacina BCG, que protege contra a meningite turberculosa. A imunização impede que o bacilo de Koch, bactéria responsável pela tuberculose, instale-se nas meninges. É dada na rede pública e também na maternidade gratuitamente. Em momentos em que está em falta e é recomendada a aplicação ao sair do hospital, pode ser dada na rede pública ou na particular. O custo na rede privada é em torno de R$ 130. 

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