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Sul de Minas: 20 cidades não têm registro de crimes contra a mulher

De 164 municípios sul mineiros, 20 com até 10 mil habitantes não possuem registro; advogada alerta para subnotificação

| Especial para o tudo ep -

Das 164 cidades no Sul de Minas, 20 não registraram violência contra a mulher em 2022. (Imagem: Ninocare/Pixabay)
Dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais) apontam que dos 164 municípios do Sul de Minas apenas 20 não tiveram qualquer registro de violência doméstica ou contra a mulher em 2022.

Todas as cidades sul mineiras sem registro desse tipo de crime têm menos de 10 mil habitantes. São elas: Aiuruoca, Claraval, Conceição da Barra De Minas, Dom Viçoso, Fama, Gonçalves, Ibitiura de Minas, Ijaci, Inconfidentes, Itutinga, Liberdade, Luminárias, Minduri, Passa Vinte, Ribeirão Vermelho, Santa Rita de Caldas, São João Batista do Glória, São Tomé das Letras, Seritinga e Tocos do Moji.


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Segundo a OAB Mulher de Poços de Caldas (MG), uma possibilidade para a falta de registros de violência doméstica e contra a mulher é a subnotificação.

Para Pollyanna Pellegrinelli, presidente da OAB Mulher de Poços de Caldas, a ausência de registros não significa que crimes não foram cometidos. "Não tem como nesses municípios não ter acontecido nenhum caso de violência doméstica com as estatísticas que a gente tem de como funciona a violência doméstica em nosso país. Em municípios muito pequenos, em comunidades muito pequenas, é mais difícil que as mulheres tenham coragem de chegar ao poder público e falar que sofreu violência", diz.

A advogada aponta que existem cidades pequenas que não possuem redes de apoio ou até mesmo delegacias. "Isso por uma questão de preconceito contra ela mesma, porque você não tem para onde ir, você não sabe o que fazer. Muitas vezes a sociedade coloca em cima da mulher o peso da decisão das consequências com o pai, com os filhos. E muitos municípios pequenos não possuem delegacia, então elas não têm para onde ir", explica.

Ainda, Pellegrinelli pontua que além da violência física, muitas mulheres estão expostas a outros tipos de agressão. "Praticar violências emocionais, diminuir, falar que é feia, que é gorda, que não sabe, não dá conta. A violência financeira, que é não permitir que você trabalhe e tenha independência. Tudo isso são tipos de violência encontradas em relacionamentos abusivos. E aí vai escalando para agressões verbais, xingos e gritos, escalando ainda mais para um chute no móvel ou murro na parede, até chegar na agressão física propriamente dita", destaca.

CENTRAL DE ATENDIMENTO À MULHER

A Central de Atendimento à Mulher Ligue 180 é um serviço do governo federal que presta  escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência. O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes.

O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso: Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros.

A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. São atendidas todas as pessoas que ligam relatando eventos de violência contra a mulher. O Ligue 180 atende todo o território nacional e também pode ser acessado em outros países.


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