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Tal pai, tal filho: Carlos Camilo conta sua trajetória como atleta e treinador de Paulo André

O ex-velocista Carlos Camilo e agora treinador de Paulo André, deixou tudo programado para o retorno do filho às competições após o BBB. Confira a entrevista.

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Carlos Camilo é abraçado por Paulo André (Wagner Carmo/CBAt).
Carlos José Camilo, ex-velocista e treinador de Paulo André Camilo, que é uma das jovens promessas do atletismo brasileiro e vem se destacando nos 100 metros rasos, contou um pouco da sua trajetória. Tudo começou no exército, aos 18 anos no Rio de Janeiro, e ele foi um dos poucos que se voluntariou a praticar o atletismo, quando a maioria preferia o futebol. Pelo jeito, o tempo passou e a situação continua muito parecida, nossas crianças e jovens, em sua esmagadora maioria, tendem a escolher o futebol como primeira opção.

Ao ganhar de um dos melhores atletas do exército, começou a se destacar. "O sargento Barreto me viu correr na EsEFEx (Escola de Educação Física do Exército) e eu ganhei. Eu nunca tinha treinado atletismo, não sabia nem o que era. Nisso, ele foi até o meu comandante pedir para eu participar da seleção do exército e o comandante liberou", conta Camilo.

As Forças Armadas, em especial, a Polícia Militar, foi e ainda é um importante celeiro de atletas no Brasil e no mundo.

Depois disso, sua carreira começou a fluir, indo correr na seleção de atletismo do Vasco. Em 1979, foi convidado para estudar e morar em São Paulo. "Eu estudava em Taubaté e morava em São José dos Campos. Trabalhava na Johnson durante meio período, treinava durante a tarde e à noite ia para Taubaté estudar. Isso durou quatro anos", relembra o treinador que se formou em Educação Física graças ao atletismo.

Mesmo com uma rotina agitada, ele manteve sua boa performance e o SESI Santo André o convidou para fazer parte do time, depois disso ele deslanchou como velocista. Entre suas principais conquistas, ele destaca sua ida ao Mundial de Atletismo em Roma, em 1986, pois foi uma realização pessoal. "Mas minha maior decepção foi ter sido cortado da seleção em 1988, porque eu estava convocado, mas machuquei a perna quinze dias antes", conta ele que também já foi campeão sul-americano nos 100 metros rasos.

Essa edição dos jogos olímpicos de 1988, em Seul Korea, foi a mais importante para as provas de velocidade do Brasil, sendo a última edição com um brasileiro ganhando medalha na prova individual nos 200m e um finalista nos 100 metros rasos.


Tal pai, tal filho

O filho de Carlos Camilo, Paulo André, jogava futebol no clube Tupi, em Vila Velha - ES, pois como toda criança, tinha o sonho de ser jogador. Na época, com apenas 11 anos, o pai começou a perceber que ele era muito rápido em campo. "Mas até então, eu nunca havia falado para ele que eu fui atleta. Nunca havia sentado e conversado sobre isso, pois eu achava que era um assunto que não importava. Para ele, eu sempre fui professor de educação física", revela Carlos.

Sempre observando que o filho se destacava em brincadeiras de corrida até mesmo com crianças mais velhas, Carlos viu o filho ser cobiçado por times de futebol como Bahia e Flamengo, mas em sua visão P.A ainda era muito novo para sair de casa sozinho tão cedo, com apenas 15 anos. "Tudo foi conversado com ele e ele entendeu", afirma o treinador.

Carlos possui um projeto social de atletismo em Vila Velha e havia uma competição. Ao convidar Paulo para participar ajudando na organização e também competindo, a proposta foi aceita. "Ele foi lá, correu e ganhou do pessoal já treinado. Então eu chamei ele no canto e falei aqui, você vai ser o cara. No futebol você vai ser mais um. Craque no mundo tem uns cinco, o resto é coadjuvante. Foi aí que eu falei para ele que fui atleta, mostrei meu álbum e ele até me deu uma bronca porque nunca falei nada", relata ele.

Paulo André continuou jogando futebol, mas começou a correr também. Em uma competição em Brasília, sua primeira competição nacional em que ele foi sozinho, conheceu o velocista Victor Hugo, com recorde sul-americano de 10s36, e se empenhou em quebrar este recorde. Conseguiu quebrar o recorde de Victor Hugo, marcando 10s30 aos 17 anos, foi quando sua carreira como atleta explodiu. Seu melhor tempo nos 100 metros rasos é 10s02.

Quando ele foi convocado para as Olimpíadas de Tóquio, não foi uma surpresa, pois já havia sido acordado e planejado desde 2016. "Sempre foi nosso objetivo, mas é uma doidera, pois você treina quatro anos para correr 10 segundos", brinca Camilo. P.A quase foi para a final e seu pai e treinador acredita que sua presença acabou atrapalhando o desempenho dele. "Nossa meta agora é ir para a final em 2024, nas Olimpíadas de Paris. Apesar de tudo, ficamos muito felizes dele ter ido, eu até falei para ele cara, você é olímpico, um atleta olímpico".

Qual o futuro de Paulo André?


De acordo com Carlos, somente o próprio filho poderá responder esta pergunta quando sair do confinamento. De qualquer forma, tudo foi planejado para que ele ficasse durante os três meses no programa executando um treino mais leve.

Estima-se que ele perca de 30 a 40% de seu desempenho e, ao sair do programa, se for sua escolha voltar a treinar imediatamente, seu pai e treinador já programa que ele volte com tudo para XLI Troféu Brasil Loterias Caixa de Atletismo, em junho.
 

"Paulo André é uma pessoa mais tímida e solta seu lado brincalhão quando está perto de quem se sente à vontade", explica seu pai. (Crédito: Divulgação).

Além disso, Carlos está muito tranquilo e feliz com a presença de P.A no BBB, pois o filho está conseguindo transmitir exatamente o que ele é aqui fora. "Ele é uma pessoa na dele, mais tímido, não é de ficar forçando amizades e quando se sente mais à vontade vem seu lado brincalhão. Eu já imaginava que ele iria se aproximar do DG e do Scooby, por conta do jeito deles serem muito parecidos", afirma Camilo.

Confira a entrevista em que o pai de P.A comenta sobre seu desempenho no BBB. 


Para ele, o filho deve retornar ao foco nas competições assim que finalizar os compromissos durante quinze dias com a Globo, após sua saída do programa. Tudo foi planejado e colocado no papel para que ele perca o mínimo possível de desempenho.

A visibilidade que o atleta vem ganhando no programa é importante também para o atletismo, visto que agora ele é o terceiro atleta mais seguido do mundo, podendo divulgar o esporte e ajudar a todos que vem trilhando uma carreira neste ramo. 

Fica aqui a nossa torcida para que o Paulo André retorne com força total ao atletismo, pois fazem mais de 33 anos que um brasileiro não consegue um bom resultado na prova dos 100 metros rasos. A prova tem um dos recordes mais antigos do atletismo brasileiro e ver um atleta jovem e talentoso como Paulo André, renova as esperanças de voltar a ter um brasileiro entre os finalistas dos 100 metros em mundiais e principalmente, nos jogos olímpicos.


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