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Setor agro deve ter crédito mais caro na safra 2022/2023

O programa é responsável pela destinação de recursos públicos para financiar as atividades agrícolas de pequenos e médios produtores do país

| Da redação -

Plano Safra é um impulso do Governo Federal para o setor rural (Foto: Unsplash)


O agronegócio recebe um impulso do Governo Federal para alavancar as produções, o chamado Plano Safra. O programa é responsável pela destinação de recursos públicos para financiar as atividades agrícolas de pequenos e médios produtores do país, como um fomentador do desenvolvimento agropecuário.


Esses produtores devem sentir no bolso o peso dos juros mais caros nas safras de 2022 e 2023. A temporada chega ao fim após o aumento de custo e dificuldade de acesso ao crédito subsidiado. No Plano Safra, o governo precisa de um montante total de R$ 251 bilhões em financiamentos.


Quando entrou em vigor, em julho do ano passado, a taxa Selic estava em 4,25% ao ano, mas após onze altas consecutivas, a taxa já chegou a 12,75% ao ano.
 

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A taxa média de juros praticada em fevereiro, por sua vez, chegou a 6,8% ao ano no crédito rural regulado para pessoas jurídicas, conforme informações do BC (Banco Central), sendo que um percentual em 12 meses foi de 1,6 ponto. Os financiamentos a taxas de mercado, por sua vez, tiveram média de 11,9%, alta de 6,1 pontos percentuais. Em julho de 2021, mês do atual Plano Safra 2021/2022, as taxas eram de 4,8% ao ano e 7,3% ao ano.


Para os produtores rurais pessoas físicas, a taxa média no crédito avançou 1 ponto percentual em 12 meses, passando a 6% ao ano em fevereiro. No crédito livre, chegou a 13,1% ao ano, uma alta de 5,8 pontos percentuais. Segundo balanço do BC, em julho do último ano, as taxas estavam em 5,6% ao ano e 7,9% ao ano.


A alta dos juros representa um entrave para o governo federal, que busca equilibrar as taxas dos financiamentos. Com o crédito elevado, as contratações de linhas subsidiadas foram suspensas pela falta de recursos.


Em entrevista publicada pelo site Globo Rural, o diretor de agronegócios do Bradesco, Roberto França, afirmou que os recursos livres dos bancos irão suprir a demanda, mas o recurso subsidiado tem um limite. Segundo França, dois terços da carteira de agro do banco, de mais de R$ 43 bilhões, são de crédito a juros livres. Ricardo França, superintendente de agronegócios do Banco Santander Brasil, afirma que esses recursos "já entraram muito forte e vão seguir assim, apoio aos grandes produtores".


Beatriz Miranda, especialista em crédito agro da Talento Soluções em Crédito - empresa que atua com crédito agro para aquisição de terras, fazendas, chácaras, sítios e máquinas agrícolas, entre outros -, destaca que as estimativas para liberação de crédito para auxiliar os produtores nas safras de 2022, 2023 e, possivelmente, 2024, não resolverão o problema do setor como um todo, pois os recursos financeiros não estão sendo suficientes para suprir a demanda.


"Com a Selic nos patamares de 13%, o crédito rural fica mais caro, o que gera dificuldades para os investimentos destinados ao campo. Portanto, os produtores rurais estão à espera de um apoio que traga segurança para quem produz alimentos para a população", diz ela.   

"Sabemos que o agronegócio brasileiro já sofre com impactos da alta dos juros e da guerra na Ucrânia. Caso a inflação não seja contida, enfrentaremos ainda mais dificuldades nos investimentos dos produtores", prevê.


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